Roteiro de Objetivos de Aprendizagem e Desenvolvimento (ROAD)

O que é e para que serve?
Cada aluno/a do Arco Maior tem o seu Roteiro de Objetivos de Aprendizagem e Desenvolvimento (ROAD). Este acompanha o período de desenvolvimento de cada Projeto, pois seguimos uma gestão curricular e pedagógica inscrita na Aprendizagem baseada em Projetos/Problemas (AbP). Neste Roteiro estão resumidos, com e para cada aluno/a, os principais objetivos educativos, tanto os inscritos nas “aprendizagens essenciais”/”conteúdos” das diversas disciplinas que “entram” em cada projeto e os das disciplinas que nele não “entram”, como os que se relacionam com o desenvolvimento social e emocional. O período de duração de cada Projeto pode variar entre 4 e 8 semanas (no caso do ensino secundário, duram habitualmente 8 semanas). 


O ROAD é construído em cooperação pelo/a aluno/a e pela Equipa Pedagógica e a sua execução é mediada pela ação dos orientadores/tutores. Cada orientador acompanha um número variável de alunos, sempre reduzido, podendo ser um/a professor/a, um/a coordenador/a, uma TIL, uma Mediadora). Alunos e orientadores, durante o período de execução e no termo de cada Projeto, realizam o balanço do processo educativo desenvolvido e projetam quais os objetivos a priorizar no Projeto seguinte, mormente em termos de Competências Socioemocionais.


O ROAD tem, pois, duas partes que se interligam, os objetivos de aprendizagem e os objetivos de desenvolvimento. Estes objetivos educativos traduzem-se, assim, num documento concreto, coconstruído e debatido em comum, que contempla ainda o registo das avaliações intermédias e da avaliação final, conciliando sempre as dinâmicas de autoavaliação e de heteroavaliação. Na base deste acompanhamento personalizado, no início, durante e no fim de cada ROAD, está a nossa pedagogia da proximidade, da atenção e do encorajamento permanente de cada aluno/a.


Para que fosse claro para todos, para cada educador/a e para cada aluno/a, o que entende por Competências Sociais e Emocionais (CSE), o Arco Maior adotou, em 2023, com o apoio da Fundação Tomillo, o modelo CASEL, ou seja, Collaborative for Academic, Social and Emotional Learning, criado em 1994, em Chicago (USA), instrumento que é gerido colaborativamente por uma imensidade de pedagogos, psicólogos e outros profissionais.
Posteriormente, o Arco Maior elaborou um documento interno de apoio ao trabalho quotidiano das Equipas Pedagógicas em que se esclarecem quais as CSE contempladas, a sua definição e quais as atividades que se podem desenvolver para fomentar cada competência em concreto. Reconhecemos a importância do rigor no desenvolvimento das CSE: cada aluno/a precisa de trabalhar algumas competências centrais para a reorientação das suas vidas, para uma sadia convivência social e para a sua inserção socioprofissional.


Cada aluno/a tem ainda um Portefólio onde vai organizando os seus trabalhos em cada Projeto e as suas reflexões críticas, ao longo de cada ano letivo. 


Este passo pedagógico de criação dos ROAD, em síntese, foi dado por várias razões: (i) alunos e professores ganham muito em terem bastante claro o que se vai trabalhar e como, em cada período de duração de um Projeto, pois isso permite manter o foco, evita a dispersão e concentra os esforços tanto do/a aluno/a como da Equipa Pedagógica e dos orientadores; (ii) os alunos têm mais consciência do que estão a “trabalhar”, que prioridades definem e que objetivos se propõem alcançar, com o apoio dos orientadores e de toda a Equipa Pedagógica e, deste modo, tornam-se mais responsáveis pelo percurso que têm pela frente e mais certos de que a sua vida, passo a passo, sempre por pequenos passos, pode melhorar; (iii) o Arco Maior, como projeto socioeducativo alternativo e com uma pedagogia específica, consegue, mais facilmente, imprimir um ambiente de encorajamento de cada aluno/a, com objetivos educativos claros e precisos, marcados por um ritmos quinzenais de acompanhamento e balanço, nunca separando as aprendizagens disciplinares do desenvolvimento social e emocional; (iv) criam-se registos e evidências de um trabalho diário e conjunto entre todos os intervenientes, contrariando algumas tendências para dizer que pouco ou nada se faz, quando se faz tanto e se cresce muito, ainda que muito lentamente. 
Quando nos damos conta, professores e alunos, de que um/a aluno/a está bastante diferente daquilo que era quando chegou ao Arco Maior, parece que se dá, de repente, um “clik”, como dizemos. Mas, não. Temos prendido a ver isto de modo diferente, como um processo e não como um produto. 


Ao longo de vários meses, há muito trabalho, feito de pequenos gestos e de pequenos passos, um processo lento, mas muito rigoroso, com avanços e recuos, sustentado num cálido caldo amoroso, feito de encorajamento e acompanhamento constantes, onde nunca se desiste de qualquer aluno/a. Os ROAD são como andaimes. Ninguém ergue uma obra ou recupera uma construção sem recorrer a andaimes, sem finas e fortes estruturas de apoio. 
Sim, os ROAD são como andaimes, erguidos em conjunto, substituídos ou reformulados em comum, preciosos instrumentos pedagógicos, estruturas essenciais para cada uma e cada um dos alunos andaimarem no seu interior novos projetos para as suas vidas. E isso é o que define o Arco Maior e isso só se consegue quando se cultiva um paradigma educativo baseado no cuidado, na gentileza e na firmeza, em síntese, no amor.